Comida Especial

março de 2013 por

Mais uma história das antigas.

Os dias de hoje estão “bicudos”, as coisas são difíceis para todos. Os funcionários públicos estão levando a pecha de culpados pela inflação no País. Daí então que a ordem é arrochar os funcionários públicos: demitir, não corrigir os salários, vale tudo. É uma intranquilidade geral.

O meu amigo Santos, morador em Itaúna, Barnabé, há muito tempo trabalhando numa repartição do governo, saiu de casa com a “cabeça cheia”, eram problemas familiares, agravados com a afirmação das autoridades de que funcionário público é um grande causador da inflação.

Quando o ônibus, no qual ele viajava, passava pela Avenida do Contorno, aconteceu um fato que já se tornou rotina na vida dos moradores de São Gonçalo. Quem, nesta cidade, ainda não passou por tal situação? Santos ainda não tinha passado, ele era uma rara exceção. Que situação era essa? Já vou contar.

Voltemos ao interior do coletivo. Lá estava Santos, com o seu filho adolescente ao lado, falando sobre o seu Vasco. De súbito, um passageiro levantou-se e no meio do corredor do ônibus anunciou:

– É um assalto!

Meu amigo, não ouviu, continuando o seu “papo”:

– O Carlos Germano tem que ser convocado, só o Zagalo não vê que ele é o melhor goleiro do Brasil.

O assaltante, mostrando o revolver, gritou:

– Atenção, gente, isso não é brincadeira!

Ato imediato, outros dois passageiros levantaram-se e começaram a recolher os pertences dos passageiros: um relógio descartável aqui, um óculos de camelô ali, um cordão de bijuteria mais adiante, um brinco de metal lá, uma peruca usada cá, uma bolsa furada acolá, uma carteira do INSS de aposentado no chão, alguns poucos “caraminguás” dos passageiros, a dentadura de uma velhinha. Pelo que foi arrecadado, via-se que a situação estava “braba” mesmo.

Quase ia me esquecendo, levaram também uma bolsa de supermercado com a marmita do Barnabé Santos, que ficou uma “arara”, pois naquele dia a comida do funcionário público era especial.

Revoltado, na delegacia, quando foi indagado sobre o que continha a sua marmita, ele assim falou:

– Uma lauta refeição, Sr. Delegado: arroz, feijão e sardinha.

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