Dia de Malhar o Judas

abril de 2017 por

“Queima do Judas”, 1909

A malhação do Judas era o papo da criançada, uma semana antes do sábado de aleluia. Os preparativos eram feitos pelos adultos na maior surdina, já que eles aproveitavam a oportunidade para malhar a todos, não deixando escapar ninguém. A vizinhança ficava de prontidão para ver quem eram os autores da lista que acompanhava o Judas.

No entanto, os pais dos Judas a cada ano mudavam o poste que recebia o Judas e o horário da fixação do mesmo. Porém, todo ano, no dia marcado, ou seja, sábado de aleluia, lá estava o distinto, fofoqueiro com sua língua de trapo, malhado antes de ser malhado.

No sábado pela manhã era um tal de vassouras ficarem sem cabos, já que os mesmo seriam usados como porretes para malhar o Judas. Depois da malhação alguns saião machucados da refrega, muitos não retornavam para as vassouras. Após o embate, via-se pedaços perdidos no campo da batalha, prejuízos para pais e castigos para filhos.

Na lista do Judas, ou melhor, na herança do Judas, viam presentes ou recomendações:

– Para dona Maria, viúva, um homem bem novo para apagar o seu fogo.
– Para seu Manoel da padaria, um sabonete para lavar bem as mãos antes de servir o pão.
– Para o açougueiro, seu Belarmino, parar de vender fiado para dona Marieta, estou de olho.
– Para o leiteiro, seu Antônio, parar de colocar água no leite.

Isso é uma pequena amostra das listas dos Judas. Em função disso, os moradores atingidos, logo que sabiam da citação dos seus nomes na lista, procuravam rasgar a lista.

Hoje na lista de herança iria constar o nome de vários políticos que traem o povo, o verdadeiro Judas. Sim, até hoje o povo continua sendo malhado. Pobre povo brasileiro.

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