Estatuto dos Adolescentes (1994)

Janeiro de 2014 por

Senhores e senhoras, respeitável público, companheiros de infortúnio.

Eu estou aqui para fazer uma denúncia e uma reivindicação, na qualidade de adolescente da classe média desse vosso País. Sim, porque nós adolescentes ainda não tomamos “posse” dele e, como dizem os adultos, nós não podemos “apitar” nada, pois não trabalhamos para o engrandecimento da Nação.

Quanto a mim, eu não quero “apitar” nada. Quem gosta de apito é índio.

No que se refere a trabalho, não tenho nenhuma pressa. Aliás, eu gosto é de tocar bateria, só assim não preciso escutar a ladainha dos “velhos” no dia a dia. Quando eles entram no meu quarto, começo a bater com raiva, eles saem rapidinho. Santo remédio, a bateria.

Faz-se necessário que os salários melhorem ou que os pais arranjem dois empregos, quiçá três. Só assim os adolescentes terão suas necessidades atendidas de imediato e sem nenhuma questiúncula.

Na reunião realizada pelos adolescentes do Brasil, nós tiramos, na plenária, o seguinte estatuto de nossos direitos:

I – Fica o pai obrigado a fornecer toda sexta-feira, uma caixa com pelo menos três camisinhas, de preferência coloridas e musicais.

II – É vedado o uso do carro da família pelos pais nos finais de semana sem prévio consentimento do adolescente.

III – O adolescente tem que ser ouvido quando da feitura da lista do supermercado.

IV – É dever de mãe arrumar o quarto do adolescente.

V – O adolescente não pode ser acordado. Ele se levantará quando lhe aprouver.

VI – A mãe não poderá reclamar do adolescente quando ele respingar de xixi a tampa do vaso sanitário.

VII – O som nosso de cada dia não pode ser contestado, mesmo no mais alto volume.

VIII – A mesada, no valor de um salário mínimo, deve, obrigatoriamente, sob pena de multa de 10% ao dia, ser semanal. Nós somos o futuro desse país, devemos receber
“por conta” desse futuro.

IX – É dever dos pais fornecer roupa de etiqueta, tênis importado, perfume francês, sempre que o adolescente assim o solicitar.

X – Em caso de dúvida, o adolescente sempre terá razão.

Quero informar aos pais engraçadinhos que filhos, principalmente adolescentes, não têm deveres e não tentem contestar.

Nós fizemos a nossa Lei e tenho dito.

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