Jane

por setembro/2014Crônicas0 Comentários

Minha amiga é uma criatura espetacular, tem um “coração de ouro”, lá das montanhas mineiras. Sim, ela nasceu por lá.

Casada com o Sérgio, aliás, o Dr. Sérgio, médico conceituado, que todos os anos vai aos Estados Unidos fazer cursos de aperfeiçoamento, para não perder o “bonde do progresso”.

Certa feita, minha amiga Jane estava em uma igreja assistindo a um casamento. Na hora que a noiva passou, todos ficaram de pé, para apreciar a cerimônia.

Jane estava feliz, segurou no braço do seu marido com carinho. No transcorrer da cerimônia, olhou de relance para ele, notou que estava sorrindo. Ela não sabia o porquê. Ficou curiosa, cutucou-o. Dr. Sérgio olhou para os olhos de Jane e depois se fixou no braço dela. Só aí ela percebeu o porquê daquele sorriso maroto, ela havia dado o braço a um senhor estranho que estava ao seu lado.

Pois é, assim é minha amiga Jane, “dona” de uma “inocência total”, além de completamente “desligada”.

De outra feita, Jane tinha ficado de visitar a sua mãe, que morava a duas quadras de seu prédio, chovia naquela tarde. Ela pegou as suas duas filhas, entrou no seu fusquinha branco e partiu pra lá.

Estacionou um pouco à frente do prédio, onde morava sua querida mãe.

Conversaram muito, falaram das tias, recordaram o tempo passado em “Beraba”, as ruas de “Berlândia”. A juventude de Jane em “Belô”. Trocaram receitas de pão de queijo, feijão tropeiro, couve à mineira etc.

Jane levou um livro de rezas para sua mãe.

Quando sua mãe lhe disse que ela estava muito magra, Jane respondeu que estava fazendo uma dieta e exercícios dados pelo seu “guru” Chang que é coreano. Segundo ela “um santo homem”.

Sua mãe voltou a ponderar que, mesmo assim, ela estava “indo com muita sede ao pote”.

Jane disse que o Sérgio também tinha dito a ela que, se ela continuasse daquele jeito, ia acabar ficando “transparente”.

Minha amiga saiu do prédio e não estava mais chovendo , caminhou as duas quadras que separavam as duas residências.

As crianças estavam com sono e, mal chegaram, foram logo dormir.

Ela falou com Sérgio, que perguntou pela sogra e depois foi dormir.

No dia seguinte ao acordar, Jane se arrumou para ir trabalhar, foi à garagem do prédio a fim de pegar o seu carro.

Ao chegar lá, uma grande surpresa, o carro não estava.

Ela voltou ao seu apartamento e ligou para o marido:

– Sérgio, roubaram meu carro.

– Calma, Jane!

– Como ficar calma, Sérgio?

– Entraram na garagem e levaram meu fusquinha.

– Mamãe! (chamou a filha).

– Espera aí, criança, não vê que a mamãe está falando com o papai um assunto sério.

– Vá à delegacia e dê parte, disse o Dr. Sérgio.

– Mamãe (a filha puxou o seu braço).

– Filha, espera a mãe terminar.

O Dr. Sérgio, então, disse:

– Jane, se o seu carro não aparecer, eu compro outro.

– Não quero outro, eu quero é o meu fusquinha, “trem danado de bom”.

Percebendo, o nervosismo de Jane, Sérgio então resolveu:

– Espere, que eu já vou pra aí.

Após desligar o telefone e chorar um pouco de saudade do velho fusquinha, ela resolveu atender à sua filha.

– Mamãe, você ontem deixou o carro na rua da casa da vovó.

– Uai, meu Deus! Que cabeça a minha.

Jane e o Dr. Sérgio foram conferir. Sim, lá estava ele: lavado pela chuva e secado pelo sol, sorrindo para Jane.

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