Kadu e Mais Dez

maio de 2016 por

Lá pelos idos de 1960, existiam vários campos de várzea em São Gonçalo. Principalmente em Neves (Vila Lage). Aos domingos os campos ficavam cheios de espectadores, que vibravam com o bom futebol dos craques anônimos. Celeiro de jovens valores, que mais tarde iam brilhar em times profissionais do Rio.

Havia, também, nesta época, o Metalúrgico Futebol Clube, o famoso “Metal”, que vinha a ser o clube dos funcionários do Hime (metalúrgica que existia em Neves). Como o time era patrocinado pela empresa, tinha um excelente plantel.

O xodó dos torcedores era o time juvenil, que enfrentava equipes da mesma categoria, vindas do Rio, em pé de igualdade.

O técnico da rapaziada era um grande conhecedor do ofício. Porém, tinha uma maneira toda especial de lidar com alguns dos seus pupilos.

Os nomes aqui citados são fictícios, no entanto, os fatos narrados, verdadeiros.

Em um domingo qualquer daquele ano, pela manhã, o campo do “Metal” estava cercado de torcedores, pais, mães, irmãos, vizinhos, o Morro do Hime todo tinha descido para ver o grande jogo. Juvenil do “Metal” contra o juvenil do Vasco.

Começa o jogo, o “Metal” dá um show de bola. O número 10 da equipe (Maurinho) coloca a bola na trave. O número 8 (Bebetinho) dribla meio time do Vasco, inclusive o goleiro, e chuta para fora.

O time do Vasco não passava do meio de campo. O center-half do “Metal” (Kadu), com seu futebol elegante e com seu vigor físico, roubava todas as bolas vascaínas. Até os trinta e cinco minutos foi um baile de bola do “Metal”. A torcida era só alegria. Final do primeiro tempo, Vasco 2X0. Inexplicável, em 10 minutos o Vasco fez os gols, ambos em falha do center-half que “pregou” em campo.

Para surpresa da torcida, o técnico (Alonso Nelso) não substituiu o center-half (Kadu). O “Metal” voltou com o mesmo time para o segundo tempo.

Vinte minutos do segundo tempo, Vasco 4X0. A torcida grita, furiosa com o técnico. Só ele não vê que o center-half não consegue nem andar em campo. Finalmente, aos 24 minutos, o técnico (Alonso Nelso) prepara um jogador para entrar em campo. O novo atleta se posta a beira do gramado, conversa com o bandeirinha, este faz um sinal para o juiz, que aproveita a saída da bola do campo, para providenciar a substituição.

O center-half (Kadu) era um Negro, boa pinta, parecia descendente da linhagem de Reis da alguma tribo africana, talvez Zulus ou Bantos.

O juiz chamou o center-half para que fosse susbtituido. Este, ao perceber que seria ele o jogador a ser substituído, virou-se para o técnico (Alonso Nelso) e disse: Eu não vou sair, não, pois ontem eu usei o seu chinelo.

Saiu o número 10 (Maurinho). Final do jogo Vasco 5 X 0 “Metal”.

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