O Criminoso

setembro de 2011 por

Esta história aconteceu há alguns anos atrás.

Ao começar a minha história de hoje, eu humildemente peço desculpas aos meus amados leitores da minha acolhedora São Gonçalo, que tão bem me recebeu, para falar da minha cidade natal “Nikity”.

Ergo a Taça-Museu, impregnada de fel, para brindar o desamparo que é legado aos velhos não só da Terra de Araribóia, mas de todo o Brasil.

Eu trabalho no Rio de Janeiro, então todos os dias vou e volto de barca. Falando nisso, sou solidário à campanha supra partidária para que haja barcas saindo de São Gonçalo com destino ao Rio. Estou atento as noticias dadas pelo Nosso Jornal sobre o assunto. Senhores políticos “Vampiros de São Gonçalo”, como diz o meu amigo Gonça, o filósofo do povo: tá na hora de trabalhar! Estou com saudades do amigo, precisamos nos encontrar para tomarmos uma cola-light. Não, o Gonça não parou de beber. Cola-light no linguajar do meu amigo é chope escuro.

Voltemos à Nikity. Todos os dias, ao retornar do Rio, deparo com um quadro tragicômico. As pessoas que caminham em direção à UFF, logo depois de passar pela estátua do nosso índio amigo, veem um casal de senhores com um tabuleiro improvisado de camelô. Até ai tudo bem, eles devem está tirando uns trocados para o sustento deles, já que a mentalidade do Governo é de que quanto mais depressa os velhos morrerem, melhor.

Eles vendem cachaça. No fim do dia, venderam pouco e consumiram muito. O lucro obtido deve dar para comprar outra garrafa para o dia seguinte. A história se repete. Até quando?

Homem Idoso

Foto: Simon

Circula pela voz do povo a seguinte história.

Na delegacia, o delegado diante de dois homens:

– O que aconteceu?
– Senhor delegado foi o seguinte…
– Um momento, vamos seguir a hierarquia, primeiro fala o distinto cidadão, que está de terno e gravata.
– Delegado, eu sou banqueiro.
– Vê-se logo que o senhor é uma autoridade do nosso país.

O outro senhor tenta falar:

– Mas, doutor, eu…
– Calado! Não vê que eu estou falando com uma pessoa importante?
– Grato, eu posso ir?
– Claro, aliás não sei por que o senhor está aqui.
– Muito obrigado, tenho que cuidar das finanças do país.
– Eu tenho certeza que em suas mãos ela está bem entregue.

Encolhido em sua insignificância, o simples e heroico cidadão brasileiro.

– Vossa Excelência. Eu também posso me retirar?
– Claro que não. Qual é a sua idade?
– Tenho 60 anos.
– E em que você trabalha?
– Sou aposentado.

O delegado chama um auxiliar.

– Henrique.
– Sim senhor.
– Recolha este meliante ao xadrez.

Ante a surpresa do cidadão.

– Você está preso por ser velho e como agravante ser aposentado.

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