Rô FonsecaRô Fonseca
Cronista, poeta e compositor

Nossos Filhos

Pobreza 1

Moço, moço
Mãe desconhecida
Pai fugido
Filho perdido.

Moço, moço
Mariposa, Perereca
Tiziu, Espoleta
Nomes da sarjeta.

Moço, moço
Chamam-no
Trombadinha, pivete
Criança, não merece.

Moço, moço
Descamisado
Pé no chão
Crime sem perdão.

Pobreza 2

Moço, moço
Idade doze
Físico oito
Cabeça dezoito.

Moço, moço
Morada de piolho
Corpo encardido
Fede o menino.

Moço, moço
Sinal vermelho
Sorriso amarelo
Miséria em preto e branco.

Moço, moço
Decretos no almoço
Leis no jantar
Assim, vai engordar.

Pobreza 3

Moço, moço
Ronca a barriga
Briga as lombrigas
Banquete no lixo.

Moço, moço
Companheiro do sol
Amigo da lua
Dono da rua.

Moço, moço
Conversa com o mar
Chora com a chuva
Por que nada muda?

Moço, moço
Cheira cola
Foge da realidade
Sem pai, mãe, igualdade.

Pobreza 4

Moço, moço
Uma mulher
Uma bolsa
Muita porrada.

Moço, moço
Bala amarga
Abismo profundo
Cova rasa.

Moço, moço
No deserto
Não nasce flor
Ódio gera dor.

Moço, moço
É nenhuma
A expectativa de vida
Dezoito é sobrevida.

Pobreza 5

Moço, moço
Pássaro ferido
Longe do ninho
Implora carinho.

Moço, moço
Agora o senhor
Vai me escutar
Já estou rouco
De tanto gritar
Só sabem me condenar
Nunca ajudar
Esquecem que
Sou filho de todos
Produto da Sociedade
Egoísta e Covarde.

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