Professor Ptolomeu Arquimedes

outubro de 2010 por

Falo hoje, sobre o meu amigo Ptolomeu Arquimedes.

Ele é professor e reside em nosso querido bairro da Venda da Cruz em São Gonçalo-RJ.

Ser professor, já por si, é um sacerdócio. Trabalha-se mais por amor ao ideal, pois, em termos de remuneração pecuniária, é uma miséria.

professor, neste ingrato país, não tem salário, tem sim uma esmola, que é arrancada dos governantes com muita reclamação.

Para piorar a situação do meu amigo, ele escolheu ser professor de matemática, a matéria que não aceita meio-termo, gosta-se ou desgosta-se.

brasileiro normalmente não gosta de nada exato.

Trabalhando em escola do Estado e do Município, ele vive um tremendo corre-corre, é um senta-levanta incalculável.

Sábados e domingos lá está ele na sua varanda, corrigindo provas e cadernos. Depois, dizem as autoridades que os professores ganham pouco, mas também trabalham poucas horas por dia.

No fundo não é interessante para os governantes ter um povo bem instruído, pois, quanto mais preparado, maiores serão as reivindicações desse povo.

Bem, deixemos as questões sociais e vamos falar, especificamente, do nosso querido mestre.

Professor sério

Foto: Gary Tanner

Ptolomeu Arquimedes é um professor à moda antiga.

Ele não permite o uso de máquinas de calcular em suas aulas, costuma dizer que elas são instrumentos de emburrecer, já que tira do aluno o costume de pensar.

As provas do nosso mestre possuem, normalmente, três questões, sendo que ele apregoa aos quatro cantos que a maior nota dada a um excelente aluno, será no máximo, oito.

Questionado pelos alunos, assim ele, explicava, com ar de superioridade:

— Meus preclaros discentes, são três questões. Para solucioná-las será utilizada uma página, da folha papel almaço, para cada questão.

Sendo que, para resolver cada questão, um aluno gênio (CDF) levará, no mínimo 25 minutos. Logo não precisará ser bom aluno para saber que vai sobrar cálculos e faltar tempo.

A chiadeira dos alunos era geral, pois ele não concordava com os pedidos e revisão de provas e nem aceitava questões resolvidas pela metade.

Todo início de ano letivo era uma choradeira geral quando os alunos descobriam, aterrorizados, que seriam da turma do professor Ptolomeu Arquimedes.

professor, graças aos seus métodos, não era benquisto no seio da escola, os próprios colegas o achavam meio retrógrado.

Havia, no entanto, um rapaz que trabalhava na secretaria do colégio que o defendia ardorosamente, sem que ninguém entendesse o motivo.

Finalmente a direção da escola descobriu o motivo dessa defesa, quando um aluno da turma do professor Ptolomeu Arquimedes discutiu, em altos brados, com o funcionário da secretaria, nestes termos:

— Sr. Almeidinha, eu lhe dei o dinheiro combinado e o senhor não me retirou da turma do professor Ptolomeu Arquimedes.

— Foram tantos os pedidos, meu jovem, que eu me esqueci de você.

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