Ela estava em frente à Mesbla no Centro de Niterói. Era um dia de verão à tarde. Já prenunciava que vinha chuva e ela veio com força total, um dilúvio.
A guria recém-chegada de Porto Alegre viu o dia virar noite, num repente. Logo, logo a promessa se realizou. Desabou com tudo, a rua encheu. Ela se abrigou embaixo da marquise da loja e aguardou a danada parar de cair.

O céu começou a clarear e a chuva parou, No entanto deixou uma poça d’água junto ao meio fio e a calçada. A sinaleira estava quase fechando, então o ônibus avançou à toda, espirrando água em cima das pessoas que estavam na parada, entre elas a minha amiga. A guria ficou paralisada, vendo o jato vindo em sua direção. Barbaridade, tchê?
Ela começou a se lembrar da sua Querência:
Uma vitória do seu Grêmio, sobre o rival, no Olímpico.
O CTG em Porto Alegre.
As danças tradicionais.
As comidas: o arroz carreteiro, o costelão doze horas, a bergamota docinha, a cuca alemã.
Bah! Que saudade do passeio no fim de tarde no Guaíba, saboreando o meu chimarrão.
Mosqueada na sua saudade, ela não deu conta que a poça chegou, foi um banho total. Molhou até a alma. Não deu tempo nem pegar o Terço Gremista. Bah!
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