Coqueiro da Bahia

outubro de 2012 por

Prédio

Foto: Thomas Hawk

O coqueiro que vive no alto do prédio
É um exilado não flerta com o mar
Não vê a menina bonita passar
Não se embriaga com a maresia
Não mata a sede do dia-a-dia
Não deita na rede e sorve a vida bem devagar
Lua, estrelas, difíceis de enxergar
O céu vive de luto
Concreto bruto sem poesia
Não era isso que querias
Morar na cidade grande?
“Estar por cima”, olhar superior, ser Doutor?
Money, money esqueceu que grande é a paz
É a vida que o dinheiro ainda não comprou?
Você não valorizou!
Tenho pena do amigo que “Michaelbranqueou”
Trocou a luz do Sol pela luz de neón
Adeus: capoeira, batuque, carnaval
A saudade ele conserva em formol
Agora chora lágrima industrial
Deixou de ser tricolor de aço
Pra ser lord do Morumbi
Esqueceu de Bobô, seu ídolo é meciê Raí
Nada de Jovino, nada de arrastão, cadê Dora?
Buzina em vez de violão, terno e gravata, celular, A Folha
Outrora calção de banho, cachaça de rolha
Cartão de crédito, muito remédio, pressão alta
Ainda dizem que isso é bom
Bom é voltar pra Bahia
Ah, meu Rei!
Que foi que você fez?

  • Letra: Rô Fonseca
  • Música: Ilmar Paes
  • Cantor: Ilmar Paes

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