O Machão Brasileiro

dezembro de 2017 por

Vinha eu da igreja, quando me pus a pensar… Lembrei-me do meu amigo Geraldinho.

Certa feita, quando eu o encontrei, fiquei muito contente e o saudei como nos velhos tempos, dei-lhe um abraço forte e falei: “Como vai, meu amigo Geraldinho?” Notei certo constrangimento. Perguntei: “Tá tudo bem?” Ele disse: “Por favor, nada de diminutivo!” “Tá bem, meu amigo Geraldo.” Notei que ele ficou meio triste. “Olha, meus amigos só me chamam de Geraldão!” “Ok, Geraldão!” Agora sim, ele deu um sorriso de orelha a orelha.

Então começamos a conversar. Alias, ele falava e eu ouvia:

“Quando eu era criança meu pai me ensinou que homem não chora e minha mãe não deixava nem eu entrar na cozinha. Cozinha era para as mulheres, aprendi que os homens mandam e as mulheres obedecem.”

“Depois, quando casei, minha mulher veio com um papo de que o banheiro ficava com cheiro de xixi, e deu a ideia para que eu fizesse xixi sentado no vaso sanitário. Eu disse: homem só faz xixi em pé! Ainda mais machão como eu.”

“Certa feita, ela veio dizendo que eu podia ajudar a lavar louça, pelo menos enxugar. Respondi no ato: minha mãe me proibia de entrar na cozinha, onde já se viu colocar sela em cavalo velho?”

“Sabe qual foi à última de minha mulher? Ela vem insistindo, todo mês de novembro, que o pessoal chama de novembro azul, para que vá ao médico, e me deixe ser abusado por ele.”

“Onde já se viu isso? Eu, machão brasileiro, permitir que o médico coloque o dedo no meu bolo? Nunquinha!”

Assim era o meu amigo, Geraldinho.

Minha ida à igreja foi pela missa de sétimo dia dele. Seu bolo solou.

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